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Biz Rebel

Tratado da pechincha

{ Mauro Riot }

“Raspas e restos me interessam”
Cazuza

Ao largo da prostituição, o negócio mais antigo do mundo é a pechincha. E, atualmente, o mundo passa por crises que geram, justamente, grandes pechinchas. Já disse e volto a afirmar: eu gosto das crises, pois proporcionam grandes oportunidades. E tenho visto muitas barganhas, a começar pela feira dominical da minha rua até os balanços econômicos do mercado de ações.

Apechincha, hoje, é um dos negócios mais rentáveis do mundo. Duvida? Imagine a compra de um carro de último tipo, na qual você gastaria R$ 100 mil. Negociada a pechincha, o valor cai para R$ 90 mil, o que te dá uma economia de R$ 10 mil. Quanto dinheiro você precisaria para render R$ 10 mil em um ano, a uma taxa de 20%? Seriam necessários R$ 50 mil, metade do valor gasto com seu carro.

Existem vários tipos de pechinchas: liqüidações em lojas, muitas vezes não confiáveis; rifas ou alguém querendo se desfazer de algum pertence para alavancar dinheiro; e a que eu mais aprecio: uma descoberta inusitada.

Oque há em comum entre todas elas? O grande paradoxo da barganha, que reside no timing: justamente quando ninguém quer comprar um determinado objeto. É difícil ir contra a maioria, mas isso pode render muitos e ótimos frutos. Importantíssimo também é conter a euforia e atuar como se estivesse fazendo um papel de canastrão em Hollywood. Marlon Brando deve ter sido um grande pechinchador, talvez Jece Valadão também. Como bom canastrão, não tenha pena de ninguém. Saque um bolo de dinheiro, bata com o talão de cheques na mesa, diga que vai comprar muito. Parecer poderoso, nessas horas, é mais importante do que ser poderoso.

Mauro Riot

já conseguiu boas pechinchas, mas não é bom ator, não é canastrão, não é poderoso. Não é nada, mas parece ser tudo