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De onde vêm as idéias

{Texto: Thomas Gomes}

Einstein revolucionou a ciência quando descobriu a teoria da relatividade. Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim ficaram bilionários com a criação do YouTube. Dois momentos de inspiração, cada um à sua época, de importância completamente diferente. Mas como surgem essas idéias? De onde vem a criatividade? E acima de tudo: quando vai chegar o seu momento de inspiração?

Da cabeça?
Existem diversas histórias de insights mirabolantes que chegam como mágica, com alguém gritando “Eureka!”. A criatividade é resultado de um longo processo de transformação, que demanda investimento em tempo e conhecimento. Um bom exemplo disso é a TV Mulher e Mãe, criada pelo publicitário Waltely Longo. Transmitido em 156 maternidades do Brasil, o canal possui uma grade de programação voltada para mulheres no pós-parto que se repete a cada três dias, tempo médio em que a mãe fica no hospital. “A inspiração não é um bonde que passa. Você constrói um caminho para ela. Eu acredito na velha história de que as boas idéias são 1% inspiração e 99% transpiração”, diz Waltely.

Do coração?
O instinto de construir um negócio significativo (e lucrativo) foi o que motivou Rodrigo Junco, que, ao lado dos sócios Leandro Zavalone e Christian Aquino, criou o SuperTube – site de compras online com transmissão de vídeos, um Frankenstein com pedaços do YouTube e do eBay. “A inspiração está completamente ligada ao empreendedorismo. Isso é fundamental para quem quer inovar nos dias de hoje, onde temos uma sociedade que muda o tempo todo. O desejo de criar é o que dá origem a grandes idéias, e não o contrário”, opina o empresário. Além da vontade de inovar, também é necessário estar antenado com as referências à sua volta. O caminho para uma boa idéia é pavimentado por um histórico de conhecimento e preparação, mas o “clique” pode vir de qualquer lugar. De uma viagem para a praia ou até de uma conversa de boteco. “A idéia inicial de criar algo parecido com o SuperTube surgiu durante uma happy hour com meus amigos, sobre broadcasting de vídeo e comércio na internet, e sobre como só havia um modelo de sites para vendas online. A partir daí, utilizando nosso conhecimento pessoal, identificamos esse espaço no mercado e percebemos que dessa conversa poderia surgir um negócio.”

Do trabalho?
O gênio solitário, de momentos brilhantes, é uma espécie em extinção, pelo menos no mundo dos negócios. Cada vez mais as idéias inovadoras são resultado de uma inteligência coletiva, de horas de reuniões e de grupos de discussão. O momento individual pode até ocorrer, mas tem que ser desenvolvido. É aí que entra o trabalho em grupo. “Nada é construído sozinho. É preciso ser flexível e ouvir muito, não dá para ter uma visão paternalista da sua idéia. Por isso é muito importante se cercar das melhores pessoas”, diz Rodrigo. Uma idéia não é realmente boa se ela não for relevante para o mercado. Empatia e sensibilidade são essenciais para qualquer processo criativo. Muitos negócios surgem da combinação entre as necessidades de um setor e a experiência individual. “É preciso entender o público que se pretende atingir, saber o que ele quer e como se relaciona com o que está acontecendo na sociedade. Quando você está familiarizado com o universo de um produto ou segmento, fica mais fácil produzir algo realmente inovador”, observa Suzana Apelbaum, diretora de criação da agência de publicidade Hello Interactive. Conhecer e entender os outros é fundamental. Mas conhecer a si mesmo é mais importante ainda. Saber quem você é permite a transformação de uma experiência individual única em algo que os outros ainda não sacaram. “Cada um tem uma característica que é só sua. O importante é se autoconhecer, parar de se referenciar nos outros. O importante é levar o que é mais genuíno, o que é mais você, para todas as suas atividades”, completa Suzana.

“Importação de expertise e muito brainstorming estão por trás de momentos de insight”
Rodrigo Junco

Inspiração em sonhos
Sem pesquisa e conhecimento de mercado, ter uma idéia inovadora é como ganhar na loteria sem apostar. Mas alguém tem que ganhar... a quina, pelo menos. Foi o que aconteceu com o economista João Carlos Sehn, que criou em 2001 o Conector Unipolar, um derivador de energia que evita curtos-circuitos. A idéia surgiu enquanto João recapeava os fios da sua casa. O molde do produto final apareceu durante um sonho, segundo João, dando origem à Dersehn, empresa que comercializa o equipamento e fatura R$ 10 mil por mês. “A concepção do meu produto foi algo natural para mim. Era uma necessidade nítida,de algo que ainda não existia. Acredito que negócios criativos partem da perseverança em fazer algo diferente.”

Explica aí, Freud
Enquanto algumas pessoas apenas sonham, outras transformam suas idéias em negócios de sucesso. Na opinião da psicanalista Maria Lúcia Nogueira, o que faz a diferença é o senso prático e os traços empreendedores de cada um. “Os objetivos que levam uma pessoa a criar um negócio e pintar um quadro podem ser diferentes, mas ambos partem de uma força intensa de criar algo novo. O poder de execução está relacionado a uma agressividade positiva, canalizada. Pessoas criativas e empreendedoras geralmente possuem um senso lógico aguçado, que coordena a capacidade de abstrair com a capacidade de execução, utilizando de forma equilibrada as inteligências prática e emocional.”