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Largue Tudo

{Texto: Rafael Bravo Bucco }

Marcos Tanaka largou tudo. Maurício Schonenberger também. Depois, foi a vez de Manoel Lemos, seguido de Bruno Yukihara. Talvez você não esteja associando os nomes às figuras, mas com certeza já ouviu falar dos motivos que fizeram essas pessoas desistirem de passar a vida anonimamente atrás de uma escrivaninha ou presas em um cubículo, para fazerem algo mais.


Só comigo mesmo
Tanaka, 31, era consultor, ganhava muito bem e alcançou rapidamente um alto status na empresa onde trabalhava. Sua função era estudar mercados e orientar outras companhias, fazendo-as tomar decisões corretas para permanecer em um caminho próspero. “Eu pensava: poxa, se funciona para eles, funciona para mim também! Saí e passei seis meses procurando o negócio que mais combinasse comigo. Foi quando o pessoal da Monashees [empresa de venture capital] me apresentou a boo-box.” Ele deixou para trás a certeza de crescimento contínuo, salário ascendente e a necessidade de se envolver em decisões eticamente questionáveis, “como calcular juros altos para cobrar em empresas de microcrédito”. Em compensação, tornou-se sócio de Marco Gomes e Rafael Valadares na boo-box – empresa que tem por objetivo criar uma alternativa à publicidade online –, onde agora fica com a consciência tranqüila. Mas a oportunidade também surgiu graças às suas perspectivas.“Se eu fosse casado, sustentasse família, não teria largado tudo. Para empreender é preciso não ter laços, pois o risco é grande.”


Família
Mas os laços afetivos, que podem fazer muita gente hesitar, também impulsionam. No caso de Manoel Lemos, 33, a esposa teve papel fundamental na decisão de largar o emprego em uma multinacional de tecnologia. “Minha mulher deu o maior apoio, saiu de seu trabalho (público, concursado) para me ajudar”, lembra. Somente depois ele resolveu deixar o trabalho no ar condicionado da S.A. internacional pelo risco – e prazer – de erigir o BlogBlogs, site que oferece ferramentas sociais para blogs e que reune muitos deles. “Desde pequeno eu tinha idéias e tentava implementar. Tive até horta e vendi limões para meus tios e amigos. Quando comecei a mexer com computador, mantive uma vida paralela à da faculdade e à do trabalho. Eu dava consultorias, me envolvia em projetos que achava interessantes, inventava coisas e colocava para funcionar”, conta. Hoje, sua empresa é uma das páginas mais visitadas na internet brasileira – 4,5 milhões de pessoas a cada mês – e já bombava na web quando ele deixou o trabalho antigo, em fevereiro. “Foi como pular em um precipício. Dá medo, mas, se você não arrisca tomar um fora, não fica com a mocinha.


Quem procura, acha
Bruno Yukihara, 29, deixou a carreira ascendente também em uma multinacional – campeã em reclamações no Procon – para gerir uma empresa de investimentos. Na verdade, ele largou tudo e passou quase um ano estudando o mercado em busca do empreendimento perfeito. Até que um amigo o chamou para ser sócio na Semeia Brasil, espécie de searchfund nacional, que busca companhias apetitosas para investir, ajudar a formar rede de contatos, profissionalizar a gestão e ajeitar a área financeira. “Empreender é quase como uma filosofia de vida. Envolve nuances diferentes do mundo corporativo, e quem está engajado nisso dificilmente fica feliz como empregado. Em nenhuma empresa onde trabalhei tive intenção de fazer carreira”, conta. Foi fácil tomar a decisão, porque, além de ter juntado dinheiro em sua carreira meteórica, Bruno queria fazer algo que não seria percebido em um mamute. “Gosto de autonomia e de gerar valor, e gostaria sempre de direcionar meus esforços para obter gratificação. Quero trilhar um caminho em que produza algo que faça a diferença para as pessoas, melhorando algum aspecto da sociedade”, idealiza.


Amor pela empresa
Com 29 anos, Mauricio Schonenberger comanda, ao lado dos sócios Carmen Nascimento e Dairton Bassi, a rede social Ikwa – um ambiente virtual onde estudantes e profissionais têm acesso a conteúdo exclusivo e podem entrar em contato e trocar informações entre si. Antes disso, porém, ele viajou o mundo a trabalho, como executivo. E, como Bruno, não pretende voltar a essa vida por nada. “No começo eu estava com bastante medo, era dependente do salário. Saí de férias para fazer o plano de negócios do Ikwa, e, quando voltei, me sentia um extraterrestre na companhia”, relembra. Quando estava na faculdade, já havia fundado um cursinho pré-vestibular com outros colegas, e em 2006 já tinha certeza de que não seria empregado para sempre. “Tinha vontade de empreender. Morei nos EUA, e lá eles têm uma cultura de que essa é também uma carreira”, conta. Hoje, arrepende-se de não ter deixado o emprego mais cedo. E, se uma bomba acabasse com seu negócio, faria tudo de novo: “Só que mais rápido, porque, depois de um ano e meio, aprendi muita coisa”. E você? Se ainda não largou, tem vontade (e o objetivo) de fazer a mesma coisa?


Podcasts Em resultson.com.br ouça o papo com Bruno Yukihara, da Semeia Brasil, e Marcos Tanaka, da boo-box. Leia também a íntegra da entrevista com Manoel Lemos, do BlogBlogs.