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editorial

Assim começa um bom vendedor

Beatriz Bravo Penariol tem nove anos, acaba de passar para a quarta série, mora com a mãe e os irmãos em Jaboticabal (interior de São Paulo, terra da Luana Piovani) e é minha prima e empresária.
Empresária???
É.
Da última vez em que estive na cidade, ela me chegou com uma bolsa da Hello Kitty e tirou dali de dentro um punhado de acessórios, miçangas, linhas, elásticos – tudo para mostrar que estava fazendo pulseiras e colares. Me vendeu duas pulseiras: “Compra pra dar pra sua noiva”. Apelo irresistível... Cada pulseira custa R$ 1, e cada colar, R$ 1,50. Melhor pagar com dinheiro já miúdo, porque, apesar de ter vendido oito peças naquele dia, ela estava sem troco para uma nota de dois reais. Foi assim que comprei duas pelo preço de duas. =^D

Bia levantou o capital inicial com a mãe e diz que vai reinvestir na empresa, adquirindo tipos de miçangas que não tinha ali naquele exato instante. Longe de se tratar de trabalho infantil, Bia começou a vender por livre e espontânea vontade. Não ganhou incentivo de ninguém, apenas a matéria-prima da mãe – que achava que linha e contas iriam distrair a menina.

Mas, aos olhos de Bia, aquilo era muito mais! Acho que é um grande passo de maturidade quando uma criança começa a dar valor a suas produções, e um passo ainda maior quando é capaz de oferecer customização, ouvir os clientes, atender demandas e se voluntariar a fazer algo diferente. Sei lá se o que digo faz sentido, mas algo assim tão espontâneo só pode vir de uma revolução interna muito ampla, de uma transformação que faz crescer e tornar independente. Dei a Bia dois reais. Foi a compra mais feliz que fz. E quando cheguei de volta a São Paulo havia essa edição especial de Results para tocar. Tinha que organizar uma pesquisa entre gente do mercado, cabeças valiosas, observadoras, atentas ao ambiente empreendedor e à inovação. Precisava colher opiniões sobre quais startups vêm aparecendo no mercado, destacando-se por motivos vários e espalhando sua revolução pelo Brasil. E com sorte consegui. Aí está: uma seleção de empresas pequenas, novas, inovadoras. Empresas que, se fossem uma menininha, levariam uma bolsa da Hello Kitty a tiracolo com algo maravilhoso dentro. Empresas que um dia se tornarão grandes e independentes.

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