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Fluxo de Caixa

Saindo do buraco

{Texto: Thomaz Gomes }

Credores batendo à porta, salários atrasados, contas a pagar. Em momentos como esses, qualquer empreendedor em sã consciência deveria iniciar um processo de turnaround – uma mudança profunda na cultura da empresa e, conseqüentemente, nos gastos. A gente não gosta de comentar, mas infelizmente qualquer um pode quebrar, por melhor que seja o primeiro mês.

Segundo dados do IBGE, cerca de 46% das pequenas e médias empresas fecham as portas antes mesmo do primeiro ano de funcionamento. E quando chega a crise, a primeira reação pode não ser a ideal.

Antes de fazer os cortes, é necessário parar para respirar.

É aí que entra o sangue frio do especialista em turnaround.

“O primeiro passo é fazer um acompanhamento próximo de cada despesa, para distinguir o essencial do supérfluo. O melhor caminho para isso é realizar um levantamento que defina exatamente no que cada custo reverte em termos de receita, eliminando aqueles que não tenham qualquer retorno comprovado”, diz Raul Rosenthal, sócio da consultoria de turnaround Íntegra Associados.

Sem demissão
Pode parecer estranho (para a gente pareceu), mas, segundo o consultor Laécio Barreiros, diretor da consultoria L&Barreiros, convém não demitir em massa. “Em vez de meramente demitir por setores, o estabelecimento de ações de incentivo e de metas pode impulsionar as vendas e o desempenho global, o que gerará a receita que vai tornar possível a recuperação de qualquer negócio. Fixar os salários de acordo com o desempenho de equipes também passou a ser outra opção para enxugar custos, diminuindo-se a necessidade de demissões.”

Empresa não é banco
Muitas vezes o empresário não consegue traçar a linha onde termina a pessoa física e começa a jurídica. Por essa razão, é importante organizar a contabilidade separadamente, controlando o fluxo de caixa com a mesma atenção dispensada ao talão de cheques da carteira. Em outras palavras, parar de movimentar a conta corporativa para trocar de carro ou fazer aquela viagem à Europa. “É muito comum ver empresários e suas famílias mantendo um alto padrão de vida enquanto seus negócios estão em crise. É necessário que haja a conscientização de que a empresa não é um caixa eletrônico de onde se pode sacar dinheiro o tempo todo”, aconselha Laécio.

Aperte o fornecedor
Pagar caro por matéria-prima ou serviços (por melhores que eles sejam) pode levar qualquer negócio para o buraco, principalmente se as vendas não estiverem às mil maravilhas. A miséria vem acompanhada, geralmente por fornecedores com cobranças na mão. Antes que isso aconteça, por que não fazer o contrário? Na opinião de Vincent Baron, diretor da consultoria Alvarez & Marsal, é fundamental estabelecer novos acordos quando a coisa aperta. “Muitos empresários, na hora de reduzir gastos, preocupam-se apenas em realizar cortes internos, esquecendo-se de custos externos que podem ter grande impacto no final.

Menos clientes, mais foco
Embora possa parecer loucura, momentos de crise muitas vezes pedem um número menor de clientes ou o afunilamento do público-alvo. Esse corte permite o foco em quem realmente traz lucro, deixando-se de lado quem está sendo atendido apenas por tradição ou status, mal chegando-se ao break-even operacional. Dentro dessa seleção, vale a pena priorizar quem está mais próximo, em cidades e regiões vizinhas.

“Processos de reestruturação demandam uma racionalização de tudo, inclusive da base de clientes. Nessas horas, é fundamental focar os parceiros de verdade, privilegiando quem está mais perto de sua região de atuação, o que diminui consideravelmente o custo de logística e transporte”, completa Vincent.

De grão em grão…
Pequenas economias no dia-a-dia, além de ajudar a baixar os custos operacionais, geram um efeito psicológico de comprometimento. Confira abaixo algumas sugestões de Gabriel Eigner, presidente da consultoria Engenharia de Vendas, para reduzir aqueles gastos aparentemente inocentes:

Diminuir o número de ligações telefônicas. Hoje em dia a tecnologia já proporciona formas de comunicação mais baratas, com programas como Skype e Messenger.
Fazer viagens aéreas apenas quando realmente necessário. Procurar utilizar meios de transporte alternativos (como ônibus) e conference calls à distância.
Promover a conscientização da utilização de recursos em geral, como água, eletricidade e papéis. Essa questão, além de tudo, tem a ver com sustentabilidade, um aspecto essencial para qualquer empresa moderna.