um oferecimento de
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{Texto: Denis von Brasche Fotos: Cia de Foto}
A idéia de empresa e as relações entre empregador e empregado estão mudando. Nesta fase de transição, não há soluções melhores ou piores. A decisão de se tornar um freelancer ou buscar um trabalho com carteira assinada passa por uma avaliação pessoal do momento da carreira e da vocação profissional – ou, muitas vezes, pela falta de escolha. Hoje, 29 milhões de brasileiros têm carteira assinada (MTE). Pouco, se levarmos em conta que 90 milhões de brasileiros formam nossa população economicamente ativa (2003 - IBGE).Conheça três pessoas bem resolvidas com suas situações, veja o que elas dizem e responda: que tipo de profissional
você quer ser?
Roberta M. de Castro, 32
Advogada concursada / Dona de cartório
“Tem gente que nasceu para ser dona, eu nasci para ser empregada. Foi a instabilidade que me trouxe até aqui: agora sou dona de um cartório. Pelo que eu tinha planejado, agora estaria num escritório grande, advogando em direito tributário. Fui forçada a mudar de idéia, mas estou feliz e gosto bastante do trabalho. É a segurança que a estabilidade oferece. Não conseguiria ter isso em uma carreira que não fosse pública. Fiz uma faculdade das melhores, fiz uma pós-graduação das melhores, falo dois idiomas estrangeiros, mas não arrumava trabalho. Daí pensei: ‘Ou tem alguma coisa errada comigo, ou com o mercado. Se for com o mercado, não posso mudar’. Foram quatro anos estudando, prestando concursos. Se não tivesse passado, ia continuar. Aliás, vou continuar estudando, para que eu consiga outro cartório ou uma carreira melhor – não acho que minha jornada tenha chegado ao fim. Tenho e sempre tive a noção clara de que sou uma das poucas pessoas no Brasil com emprego garantido.”
Cacau Lamounier, 26
Designer gráfica / Freelancer contratada em período integral por uma companhia
“Virei frila fixa por falta de opção, porque ninguém me contratava. Vou todo dia para a empresa e cumpro horário. Tenho postura de funcionária, levo a sério como se fosse contratada, mas não tenho vínculos. Pelo menos a minha maré é mais mansa do que a de uma pessoa que só faz frilas, tenho uma grana garantida todo mês. Por outro lado, tenho menos tempo para fazer outros trabalhos por fora. Os benefícios que você tem quando é contratado fazem muita diferença. Quando você tem que pagar tudo do bolso, sai muito mais caro. Eu jamais abandonaria um emprego pra virar frila. Tem gente que acha um saco, mas eu ficaria mais tranqüila se fosse contratada. Não que isso seja uma garantia de estabilidade, mas é mais fácil, você pode se programar, entrar em um financiamento. Não penso em fazer quinze anos a mesma coisa, mas eu gostaria de ter estabilidade enquanto estou fazendo aquilo. Assim eu sei que o meu chão não é arenoso. Mas eu não vou me amarrar; daqui a um tempo mudo de idéia e invento outra coisa pra fazer. Acredito que o dia-a-dia prepara a gente, não importa se somos frilas ou contratados. Eu ralo, mas tenho prazer no que faço. Mas eu sei que a ideologia uma hora acaba. Estou sempre em estado de alerta, qualquer hora o barco pode tombar.”
Alexandre Freire, 28
Programador / Freelancer
“As pessoas têm medo de virar frilas, mas ter um emprego com carteira assinada não é garantia de estabilidade, você pode ser demitido a qualquer momento. Hoje quase todo mundo trabalha no computador, muitas coisas são resolvidas comunicando-se, mandando e-mails, por telefone. No meu mestrado estudei uma nova maneira de trabalhar, mais proveitosa e gratificante. A maioria das empresas usa metodologias tradicionais, mas eu não acredito nelas. Acredito que o frila é uma tendência do mercado de trabalho, pois é um reflexo da inabilidade desse modelo em satisfazer os trabalhadores e as empresas. A CLT é uma ilusão, as próprias empresas preferem que seus funcionários abram suas empresas para pagar menos impostos, ou vivem reciclando estagiários. Apesar de o governo insistir, ninguém segue o modelo à risca mesmo. Pra me garantir, eu trabalho muito e estou sempre atrás de outras coisas. E eu cobro bem caro, me valorizo muito mais do que se estivesse em uma empresa. Eu também trabalho com amigos, tenho uma rede estabelecida de pessoas que se apóiam. Mas não tem como planejar, eu tento me organizar. Estou construindo uma casa em Ilhabela, vou mudar para lá e trabalhar a distância. Tenho conexão de internet via satélite, posso fazer videoconferência. E lá, além do meu custo de vida diminuir, vou ganhar muito tempo, porque não tem carro, não tem trânsito. Vou poder me dedicar mais ao trabalho e a mim mesmo, no meu próprio ritmo.”
Roberta M. de Castro, 32 (Advogada concursada / Dona de cartório)
Cacau Lamounier, 26 (Designer gráfica / Freelancer contratada em período integral por uma companhia)
Alexandre Freire, 28 (Programador / Freelancer)
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