um oferecimento de
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{ Texto: Suellen Ceschin}
Elas podem ser um trampolim para as alturas ou para o precipício. Podem enganar à primeira
vista, e se revelarem verdadeiras furadas ou ótimas saídas. As parcerias são essenciais no mundo
dos negócios. Mas nos perguntamos: será que a máxima “diga-me com quem andas...” faz sentido
quando aplicada a empresas?
Em janeiro de 2006, o jornalista Fernando Lima, 27, fez um acordo com sua cunhada
Mayza Delmondes, 35, webdesigner. Ele, dono da Plena Comunicação, precisava desenvolver
sites para seus clientes. Ela tinha a Netstorage Tecnologia, e podia entregar o que ele
desejava. “Era necessário ter mais eficiência e forma, para que nós mesmos criássemos
e administrássemos os sites dos clientes”, conta Lima. O parentesco virou irmandade
empresarial, e a parceria se tornou sociedade. Assim nasceu a NetPlena, que faz tudo o que
cada uma das outras duas fazia sozinha.Não existe fórmula para ter sucesso ao buscar parcerias, e a
própria Mayza sabe disso muito bem. Antes da NetPlena, ela viu uma iniciativa desse tipo
terminar em dívida. “Contratamos colaboradores para atender ao grande volume de chamados
de um parceiro. Foram quase dois anos de trabalho juntos, porém não recebemos o
que foi acordado e ainda hoje pagamos pela mão-de-obra empregada”, lembra.
ANTES DA PARCERIA
– Confira a idoneidade da empresa
– Cobre o que você quer do parceiro
– Faça uma troca em que o ganho seja mútuo
– Tenha em mente o que vai oferecer
– Invista na mesma proporção que o aliado
– Prepare-se para crescer
– Defina os objetivos da parceria
– Leve em conta aspectos filosófcos e práticos
Foco
Dá para dizer que Fernando e Maysa agiram bem ao se juntar? Segundo o consultor Rogério Costa,
da Flávio Garcia Consultores Associados, talvez Fernando devesse ter pensado melhor. “Agregar
um serviço é muitas vezes perder o foco naquilo em que se é especialista, no caso dele o trabalho
de comunicação. Os clientes da Plena podem querer um site, mas os da Netstorage nem sempre
precisam de assessoria de imprensa. Fernando se torna um representante comercial de páginas na
internet, em vez de incrementar sua própria área”, opina. Sobre a má situação em que fcou a
parceria anterior de Mayza,Rogério é categórico: “Houve uma contratação de serviços que não
foi bem finalizada, o que mostra como é mal empregado o uso da palavra parceria. Parcerias são
uniões em que a responsabilidade, o investimento e os lucros são justos. Os pequenos e médios
empresários devem se preocupar com a visibilidade e a rentabilidade que um parceiro trará à sua
empresa”.
Os Tipos
Rogério Costa divide as parcerias em três espécies ruins, caso as premissas
mencionadas não sejam obedecidas:
cancerígena - faz um dos lados perder o foco no setor em que realmente atua,
tornando-se dependente do parceiro e transformando sua empresa em um negócio
secundário.
suicida - empresas que investem em muitas trocas de serviços (permutas)
acabam não tendo tempo para si mesmas. Não podem vender mais e
nem contratar mais.
cordão umbilical - é a união de duas empresas, duas equipes, que sempre
começam bem, bombando. Mas, como um bebê, elas crescem e precisam de
independência para amadurecer, o que signifca iniciar outros relacionamentos – aí
surgem as divergências. Também
pode ser chamada de parceria Yoko Ono,
com referência à entrada de alguém que
afeta a unidade do grupo.
Espaço complementar
Uma parceria que costuma render frutos (bons ou ruins) é dividir o mesmo teto, ou melhor, o
mesmo local de trabalho. O publicitário Thiago Ribeiro, 28 anos, deixou seu antigo emprego
em uma produtora de vídeo e, com mais três amigos, alugou um imóvel no Alto da Lapa onde hoje
funcionam duas empresas – A Casa da Mãe Joana, produtora de vídeo, e a OLoko Records,
distribuidora. “Essa interação nos permite executar alguns projetos em que trabalhamos
de forma alinhada”, comenta Thiago. Definiram-se regras burocráticas e financeiras
para garantir a harmonia na casa. Eles dividem despesas e a manutenção do imóvel, e
colaboram com opiniões e novas idéias. Dessa parceria foi criado um DVD, com hits de bandas
importantes no cenário alternativo, e o projeto Fun Station, um carregador digital de músicas.
“Nosso trabalho caminha para o sexto mês, e já estamos vendo resultados no curto prazo”,
diz Thiago.
Conhecida como parceria “cordão umbilical”, essa aliança entre A Casa da Mãe Joana
e a OLoko Records pode ser uma bênção ou criar traumas dificilmente superados.
“Aconselho a aproveitarem bem a boa fase, mas naturalmente irem se desprendendo; a
evolução profssional passa pala necessidade de privacidade”, comenta Rogério, o consultor.
Quando não tem jeito O analista de sistemas André Ribeiro, 27 anos, é mais cauteloso quando o
negócio é parceria. Há cinco anos comanda a Cody, empresa prestadora de serviços em
informática. “Sei que na área onde atuo é quase impossível trabalhar sozinho. Só que foco atento a
essas alianças, conferindo a idoneidade das empresas. Uma boa parceria, além de favorecer os
próprios
parceiros com a troca de serviços e negócios entre si, é um proveito ainda maior para a
clientela, que conta com uma forte integração dos fornecedores de serviço e tem acesso a soluções
mais adequadas às suas necessidades”, diz André, que faz permutas com contadores,
restaurantes e empresas de softwares.
Novamente o consultor Rogério pondera. Segundo ele, uma grande quantidade de parceiros e
permutas pode atrapalhar a empresa que busca melhorar as
vendas. “Colocar metade ou às vezes todo o seu pessoal para atender as inúmeras alianças faz
você perder um tempo precioso de captação dos clientes ideais.”
SAIBA MAIS NESSES LINKS
Veja o que se diz sobre parceria na rede:
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