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Workaholic

{Luiz Marcondes}

Todo mês a ResultsON fala de um dos tipos da fauna corporativa neste espaço. mande sua sugestão:

P*ta merd*, já é meu oitavo espresso hoje! E ainda são 7h05! E tenho tanta coisa pra adiantar. Vamos ver quantas delas eu consigo fazer ao mesmo tempo... Abro uma planilha aqui, respondo um e-mail ali, termino um relatório acolá... Ser multitarefas é fundamental, assim como saber delegar, que é pra poder pegar mais tarefas ainda, e assim por diante! É o que eu sempre digo – quando tenho tempo, claro. Deixa ver, que e-mail é esse que chegou agora?

Não acredito! A diretoria rejeitou meu pedido para que um chuveiro fosse instalado no banheiro do escritório! Quer dizer que vou ter que continuar voltando pra casa pra tomar banho? Que perda de tempo! Depois reclamam da produtividade do departamento! Se não sou eu pra moralizar essa bagunça! O melhor jeito de ensinar alguma coisa é pelo exemplo, é o que eu diria sempre, se alguém me escutasse! Bom, sem chuveiro. Espero que não impliquem com meu saco de dormir; da última vez que passei a noite aqui no escritório tive que dar uma cochiladinha, e ele veio bem a calhar. Pena que o vigia quase morreu de susto quando me viu aqui dentro de madrugada! Ah, mas é assim que são as coisas no mercado competitivo de hoje, a gente tem que pensar à frente da concorrência, tem que trabalhar sem parar. Quem acha que trabalha demais é porque não conhece o mercado, vive numa fantasia, num mundo cor-de-rosa. Eu é que sei como são as coisas de verdade. É o que a gente tem que fazer pra sustentar uma família!

Nossa... Minha mulher e o meu filho. Como é mesmo o nome dele? Deixa ver, tenho uma foto do moleque aqui no meu Blackberry em algum lugar! Ah, tá aqui.

Vamos ver o que diz embaixo: “sugestão-de-modelo-infantil-pra-campanha-lançamento-creme-dental.jpeg”. Putz, não é essa! Enfim, não importa o nome dele, minha mulher deve saber. Só preciso me lembrar de chamar o garoto de “filhão” o tempo todo se falar com ele antes de me encontrar com ela. Mas acho difícil. E ela... Bom, ela eu chamo de “querida”, mesmo... Putz! Que vergonha! Não é que esqueci o nome do amor da minha vida também? Ah, deixa eu voltar pro trabalho...

Luiz Marcondes - 35 anos

redator acredita que “quem inventou o trabalho não tinha mais o que fazer”. Mas gosta do seu assim mesmo